terça-feira, 1 de julho de 2014

Técnica Alexander



Com 32 semanas, consulta com a fisioterapeuta e início das massagens no períneo para preparar o músculo para a saída do bebê. A partir da 35ª semana, treinamento com o Epi-no. Bem desconfortável…quantas vezes não quis fazer, mas o Renato me incentivava e me lembrava do propósito daquilo. Sem episiotomia, sem laceração. E fizemos direitinho, chegando a 29cm de circunferência. A médica tinha dito que 28cm era a meta. Estava ótimo.

Acho que a conjunção entre os exercícios para o períneo com o meu relaxamento nesta hora fez com que não tivesse nenhuma laceração.

Foi maravilhoso saber que eu podia parir, que meu corpo sabia o que fazer – mesmo tendo precisado ser, digamos, estimulado. Foi lindo, intenso, emocionante. Me sinto privilegiada, forte e “empoderada”. Fiz do meu jeito. Tive profissionais incríveis e competentes me acompanhando e – expressão que amo – prestando assistência ao meu parto, ao invés de “fazendo” o meu parto. E tive o apoio incondicional do meu marido. Renato foi muito mais do que um companheiro de trabalho de parto; ele pariu comigo. Foi cuidadoso, atencioso, presente e invisível ao mesmo tempo. Viveu e compartilhou intensamente essa fantástica experiência de colocar um filho no mundo de maneira natural. Deu trabalho. Doeu. Mas a gente faria tudo de novo."

Técnica Alexande

Nesta dificuldade a Técnica Alexander pode ser muito útil: nós podemos ensinar à mulher como lidar com a dor em vez de tentar eliminá-la. Através da inibição e direção (termos próprios do aprendizado da Técnica), podemos parar nossa reação habitual à dor. Em vez de flexionar e comprimir nossa cervical por tensionar nosso crânio para baixo e para trás - ação típica da reação de pânico – podemos conscientemente e voluntariamente desfazer a tensão muscular automática. Podemos aprender e exercitar o controle consciente sobre nosso movimento e postura, nos dando um controle indireto sobre o nosso equilíbrio hormonal.


A Técnica Alexander ensina que não é somente o que fazemos quando estamos em pé ou nos movimentamos, mas como fazemos: usando inibição e direção. Esse fato deixa claro que a posição do macaco (termo da TA que se refere à posição de pé com os joelhos um pouco dobrados e o tronco tombando ligeiramente para a frente a partir da pelve) é uma das melhores posições durante a gravidez e particularmente vantajosa durante o trabalho de parto. Na posição do macaco, como a mãe se inclina ligeiramente para frente, sua parede abdominal se torna uma espécie de rede para o bebê, enquanto que o deslocamento da pélvis deixa mais espaço para que a cabeça entre na cavidade pélvica, assim o bebe é encorajado a se posicionar adequadamente para o nascimento. Ao mesmo tempo a força da gravidade – o peso do bebê – auxilia as contrações, tornando-as mais fortes e eficientes.

Uma das formas de se conseguir um estado relaxado do corpo e da mente é a salivação. Quando o corpo da mulher em trabalho de parto recebe o sinal de que contrações vão começar, ela pode escolher entre adotar o padrão do reflexo de partida (o habitual) ou direcionar-se: em primeiro lugar, ela pode pensar em esboçar um sorriso e assim permitir que a boca se torne molhada. Isto pode lembrar as instruções de FM Alexander na pratica do AH sussurrado (procedimento de vocalização normalmente utilizado no ensino da Técnica Alexander), que é pensar sobre algo engraçado. Um sorriso ou simplesmente o pensamento de um sorriso relaxa a tensão da mandíbula e da face; isto solta a pressão sobre as glândulas salivares e faz com que elas secretem. Esta é uma medida preventiva, assim a boca não se torna seca. Note-se que a boca seca é um dos sintomas da reação de pânico ou do desespero.

Como já mencionei, o modo em que o corpo reage à dor é muito parecido com aquele que ocorre durante o estado de pânico ou desespero, ocorrendo os mesmos sintomas fisiológicos tais como: boca seca, palpitação, tremores e ansiedade. Pela salivação, nós quebramos essa cadeia de sintomas, o cérebro recebe a mensagem de que tudo está bem, sem necessidade da ansiedade. Esta é uma forma indireta para podemos controlar secreção hormonal. Se, na hora da contração ou mesmo um lapso de segundos antes, a mãe permite que sua boca fique molhada, respira o “ahhh....” sussurrado e começa o movimento da pêra (o monkey dinâmico), toda sua atenção é direcionada para o movimento.

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